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Este artigo apresenta uma análise comparativa de ‘Aquela cativa’, de Camões, com ‘O saguate’, de Mariano Gracias, e ‘A dança da bailadeira’, de Eucaristino Mendonça, examinando as diferentes representações do fascínio e do misticismo que rodeiam os temas femininos na poesia colonial. Camões, o poeta do século XVI, reflete uma visão cosmopolita do mundo, moldada por quase duas décadas de viagens por África, Golfo Pérsico, Índia e Macau (White, 2008). Em contraste, a poesia de Mariano Gracias ressoa com nostalgia, marcada pela sua prolongada deslocação de Goa para prosseguir estudos jurídicos na Universidade de Coimbra, enquanto Eucaristino Mendonça evoca um intenso encantamento pelo seu sujeito no cenário goês. Embora ‘Aquela cativa’, de Camões, encapsule um fascínio pela beleza encontrada em longínquas costas coloniais, Gracias e Mendonça, ambos produtos de uma sociedade profundamente enraizada em distinções de castas, exploram um fascínio semelhante entre as mulheres misteriosas e cativantes da sua terra natal. Este artigo questiona a razão pela qual as mulheres marginalizadas suscitam um profundo desejo e reverência nestes poetas da era colonial. Através de uma lente dupla — uma retratando a servidão destas mulheres e a outra romantizando a sua beleza — esta análise examina as marcas culturais e emocionais deixadas por estas mulheres na imaginação poética, sublinhando a forma como os temas contrastantes da servidão e da adoração moldam imagens literárias duradouras. Ao fazê-lo, pondera como os poetas goeses, escrevendo na língua do colonizador, se envolveram numa forma de «orientalismo interno», transformando a bailadeira numa figura de desejo mítico e de memória cultural. |
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